sexta-feira, 16 outubro, 2026

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Terceirizados de Salvador denunciam pressão para participar de ato de Flávio Bolsonaro

Da Redação

Funcionários terceirizados da Prefeitura de Salvador denunciam suposta pressão para participar do ato político de Flávio Bolsonaro (PL), marcado para este sábado (17), no bairro da Barra. Entre os relatos estão a distribuição de camisas com o nome do candidato e uma convocação atribuída à gestão municipal. A denúncia é da influenciadora Bárbara Carine.

Segundo uma uma denúncia enviada ao site BNews por um trabalhador da área de saúde, camisas com o nome de Flávio Bolsonaro foram entregues ontem, quinta-feira (15), para serem usadas durante o evento. O funcionário pediu para não ser identificado por medo de possíveis represálias.

Outro relato foi divulgado pela influenciadora Bárbara Carine, da página Uma Intelectual Diferentona. Ela publicou um áudio no qual uma mulher convoca funcionários a participar da manifestação. Segundo a divulgação, a gravação teria sido feita durante uma reunião on-line.

“Esta convocação está vindo diretamente do prefeito pedindo a ida de vocês ao evento. Se vocês votam, se vocês não votam, está livre para vocês. A questão é a ida ao evento político”, afirma a mulher no áudio.

Na sequência, a pessoa orienta os participantes sobre o transporte e as roupas que poderiam ser usadas no ato.

“A gente vai ter um ônibus lá na Uneb e vou passar as informações direitinho para vocês. A roupa é branca, é azul, é verde, é camisa do Brasil, só não vermelho”, diz a gravação.

A reportagem do BNews informou que procurou a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Salvador (Secom) para obter um posicionamento, mas não recebeu resposta até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para manifestação do município.

Ato político na Barra foi proibido pela Justiça 

A Justiça da Bahia proibiu a Câmara Municipal de Salvador de realizar, amanhã, sábado, (17), a cerimônia de entrega do título de cidadão soteropolitano ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A decisão também suspende a transferência temporária da sede do Legislativo para o Farol da Barra, onde o evento estava previsto para as 15h.

A liminar foi assinada nesta sexta-feira (16) pela juíza Carla Graziela Costantino de Araújo, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 500 mil.

A decisão foi concedida parcialmente após uma ação popular apresentada por Maria Lúcia Andrade da Silva. A magistrada determinou que a solenidade seja adiada para depois do encerramento definitivo do processo eleitoral de 2026.

Entre os fundamentos apresentados estão o risco de comprometimento da impessoalidade administrativa durante a campanha do segundo turno e a possibilidade de gastos públicos considerados desproporcionais para a realização do evento.

O evento deste sábado, denominado “Bloquinho do 22”, iria reunir, além de Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), o senador Guilherme Derrite (PL-GO) e o deputado estadual baiano Diego Castro (PL).

A concentração estava marcada para as 15h, no Morro do Cristo, na Barra. A caminhada estava prevista para começar às 15h22.

Justiça Eleitoral já restringiu participação de servidores em atos

A denúncia ocorre após uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), expedida às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. Na ocasião, o desembargador Abelardo Paulo da Matta Neto proibiu a liberação de servidores municipais antes do fim do expediente para participação em atos políticos.

A determinação também estabeleceu que a Prefeitura de Salvador publicasse uma nota esclarecendo que os funcionários não eram obrigados a comparecer ao evento.

A medida foi expedida junto à suspensão do show do cantor Léo Santana, que estava previsto para a inauguração do Centro Cultural Novo Mané Dendê, no bairro do Rio Sena, em Salvador.

O magistrado atendeu a uma representação apresentada pela coligação “Mais Bahia, Mais Brasil”, do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O grupo acusou aliados de ACM Neto (União Brasil) de utilizar a estrutura da Prefeitura de Salvador em benefício eleitoral.

Na ocasião, foi fixada multa de R$ 100 mil por hora ao prefeito Bruno Reis (União Brasil), aliado de ACM Neto, em caso de descumprimento da determinação judicial.

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