Da Redação
Sabe aqueles resíduos que normalmente poderiam ser descartados, como bagaço de cana, cama de frango, serragem e palma forrageira? E se eles pudessem ganhar uma nova função e ajudar na produção de alimentos? Foi justamente esse potencial que Isabela de Andrade, estudante de Zootecnia da Uesb, decidiu investigar.

Realizada no campus de Itapetinga, a pesquisa “Cultivo de cogumelos em resíduos agroindustriais e/ou da pecuária” busca aproveitar esses materiais como substrato para o cultivo de cogumelos comestíveis. A proposta une produção de alimentos, aproveitamento de resíduos e sustentabilidade, colocando em prática um dos princípios da economia circular: aquilo que sobra de uma atividade pode se tornar matéria-prima para outra.
No estudo, foram utilizados resíduos como bagaço de cana, palma forrageira, cama de frango e serragem no cultivo do fungo Pleurotus ostreatus, conhecido popularmente como shimeji.
De acordo com Isabela, o aproveitamento desses materiais contribui diretamente para o meio ambiente ao dar uma destinação para subprodutos que, muitas vezes, seriam descartados no solo ou queimados, o que pode gerar poluição e emissão de gases de efeito estufa.
“A fungicultura atua na economia circular: transformamos um ‘lixo’ da agroindústria em substrato para gerar alimento de alto valor nutricional”, explica a pesquisadora.
O estudo busca não só descobrir quais resíduos podem funcionar melhor como substrato, como também entender quais condições são necessárias para que os cogumelos se desenvolvam adequadamente.
Outro aspecto da pesquisa é a utilização de materiais encontrados na própria região. Para a pesquisadora, a experiência mostra como a Zootecnia pode dialogar com a agropecuária local na busca por novas formas de aproveitamento de subprodutos.
Além de contribuir para o aproveitamento desses materiais, o cultivo de cogumelos também apresenta potencial para diversificar a produção de alimentos e a renda no campo, já que o shimeji é um cogumelo comestível de interesse nutricional, associado à presença de proteínas e fibras.
A pesquisa é fruto do Programa de Iniciação Científica da Uesb, sob orientação da professora Silmara Carvalho, e continua em andamento. Os próximos passos estão voltados principalmente para o controle da umidade durante o cultivo. A proposta é ajustar as condições ambientais para favorecer o desenvolvimento do fungo e avaliar se essas mudanças podem melhorar o rendimento e a produtividade dos cultivos.
“Queremos adequar o ambiente para garantir as condições ideais ao fungo e, com isso, alcançar um rendimento e uma produtividade ainda melhores do que os que tivemos até agora”, finaliza Isabela.
Fonte: Ciência na Uesb

